Embaixador do Irã no Brasil Critica Negociações com os EUA e Destaca Reações Populares em Meio ao Conflito
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, fez declarações contundentes nesta segunda-feira (30) sobre a atual situação política e social no Irã. Em entrevista exclusiva, ele afirmou que a população iraniana está se mobilizando nas ruas, pressionando o governo a rejeitar as promessas de negociações feitas pelos Estados Unidos, que, segundo ele, se tornaram uma "piada mundial".
Ghadiri destacou que o presidente dos EUA, Donald Trump, parece estar "dialogando consigo mesmo", sem uma real intenção de negociar com o Irã. O diplomata se referiu aos recentes comentários de Trump sobre um "novo regime" no Irã e as ameaças de ataques a infraestruturas críticas do país, caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz. "A opinião pública no Irã está pressionando seriamente o governo a não se deixar enganar", ressaltou.
O embaixador também comentou sobre a mudança no poder após a morte do líder supremo Ali Khamenei, em fevereiro, e a ascensão de seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, ao cargo de liderança. Ghadiri enfatizou que o Irã não deve aceitar um ciclo de guerra e negociação imposto pelos EUA, e que o país está determinado a responder às agressões que vem sofrendo.
Conflitos e Retaliações
Durante a entrevista, o embaixador foi questionado sobre o impacto das ações militares do Irã em relação a Israel. Ele afirmou que as operações realizadas têm causado danos significativos ao regime sionista e que a resposta iraniana é baseada em princípios éticos e religiosos, evitando o uso de armamento químico, mesmo quando atacados.
Ghadiri também abordou os ataques realizados por EUA e Israel a universidades iranianas, defendendo que essas ações revelam um desprezo pelas instituições acadêmicas e pelo avanço científico do Irã. "Esses ataques mostram nosso progresso significativo em áreas de pesquisa e ciência", argumentou.
Resiliência e Mobilização Popular
Em meio ao conflito, o embaixador destacou a resiliência da população iraniana, que continua a se manifestar em defesa da soberania do país. "Nos últimos 31 dias de guerra, as pessoas têm demonstrado seu apoio nas ruas, desafiando as dificuldades climáticas", afirmou. Ghadiri lembrou que o Irã enfrenta sanções e pressões externas há 47 anos, mas mantém sua independência e identidade cultural.
Análise da Mídia Brasileira
Ghadiri também comentou sobre a cobertura da mídia brasileira em relação à guerra, elogiando a forma como alguns veículos têm mostrado a realidade do conflito. No entanto, ele criticou editoriais que, segundo ele, buscam incitar mais violência contra a população civil.
Perspectivas de Grupos Aliados
Por fim, o embaixador discutiu a percepção ocidental sobre grupos como Hezbollah e os Houthis, enfatizando que essas organizações lutam pela independência de seus países, e não como meros "proxies" do Irã. Ele reforçou que a luta dessas forças é legítima e parte de um movimento mais amplo por autodeterminação.
Com a situação no Irã em constante evolução, as declarações de Ghadiri refletem um cenário de tensão e complexidade geopolítica, que continua a atrair atenção internacional.
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