Cuba enfrenta uma grave crise energética, marcada por apagões frequentes e prolongados, que impactam profundamente a vida cotidiana dos cubanos. Em agosto, o Sistema Elétrico Nacional (SEN) registrou sua sexta queda do ano, resultando em uma situação em que a demanda de eletricidade supera em muito a oferta. A União Elétrica (UNE) relatou uma disponibilidade de 1.035 MW em horários de pico, enquanto a demanda chegava a 3.200 MW, resultando em um déficit de 2.195 MW. Essa escassez é exacerbada por sanções do governo dos EUA, que dificultam a importação de combustível, essencial para a geração de energia.
Para driblar a crise, os cubanos têm demonstrado uma notável criatividade e resiliência. Muitos recorrem a soluções alternativas, como painéis solares, que permitem armazenar energia em baterias e alimentar eletrodomésticos, como geladeiras e ventiladores. Gilberto, um dos entrevistados, compartilha que, enquanto os mais afortunados investem em sistemas de energia solar, aqueles com menos recursos adaptam suas rotinas, comprando alimentos frescos apenas para consumo imediato e utilizando ventiladores recarregáveis para enfrentar o calor intenso.
Apesar das dificuldades, a vida em Cuba continua. As pessoas trabalham, estudam e mantêm suas interações sociais, mesmo que a energia elétrica seja intermitente. Há eventos sociais, como casamentos e festas, que ainda acontecem, mas a emigração tem aumentado, com a população cubana diminuindo em quase 1,8 milhão desde 2020, segundo dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (ONEI). A emigração é impulsionada pela busca de melhores condições de vida e pela insatisfação com a situação local.
A rotina de apagões e a escassez de combustível também trazem desafios à infraestrutura urbana. Em Havana, a coleta de lixo tornou-se uma raridade, e as ruas muitas vezes estão repletas de entulho. Entretanto, momentos de eletricidade trazem um alívio temporário à população, permitindo que as pessoas voltem a viver com um pouco de normalidade, com luzes acesas e aparelhos funcionando.
Silverio, um taxista, ilustra a luta de muitos cubanos. Ele tentou emigrar para os EUA, vendendo tudo o que tinha, mas foi enganado e teve que recomeçar em Havana. A nostalgia por um tempo em que os turistas visitavam a ilha e o combustível era abundante é palpável em seu relato. Ele deseja apenas uma vida digna para sua família, com acesso a eletricidade e água, além de oportunidades de viajar.
As dificuldades enfrentadas pelos cubanos são visíveis nas pequenas coisas do dia a dia, como cozinhar com carvão ou lenha e passar noites em claro devido ao calor intenso. Os descontentamentos se manifestam em protestos e panelaços, mas a resiliência dos cubanos se destaca. O verbo “resolver” captura a essência da experiência cubana: a habilidade de encontrar soluções criativas para contornar as adversidades constantes, transformando situações desafiadoras em oportunidades de adaptação e sobrevivência. Assim, mesmo em meio ao caos, a vida continua a florescer.
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