Protesto de Direita Indica Divisões Dentro do Bolsonarismo
O anúncio de um protesto de direita programado para o dia 1º de março reacendeu tensões entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação, que traz o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, foi convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL). No entanto, uma facção bolsonarista questiona a prioridade de se discutir o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, em detrimento de pautas como a anistia aos manifestantes do dia 8 de janeiro e a liberdade de Bolsonaro.
Nos últimos meses, surgiram críticas sobre a postura de Nikolas, que parece buscar se desvincular da imagem de Bolsonaro para promover sua própria trajetória política. Aliados do deputado sugerem que essa movimentação é uma forma de “dor de cotovelo” e uma luta por protagonismo.
O anúncio do ato ocorreu na quinta-feira, dia 12, coincidindo com a decisão de Toffoli de se afastar da relatoria de um processo que investiga irregularidades no Banco Master. A medida foi revelada após reportagens que ligavam o ministro a um resort e a um banco específico.
Após a convocação, diversos políticos tradicionalmente alinhados à família Bolsonaro manifestaram apoio à manifestação, enfatizando a importância da anistia e da liberdade irrestrita para todos, incluindo o ex-presidente. Entre eles, destacam-se o deputado federal Mário Frias e os deputados estaduais Gil Diniz e Lucas Bove, além do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo.
O senador Flávio Bolsonaro, que se posiciona como pré-candidato à presidência, foi aconselhado a evitar a pauta do impeachment de Toffoli. Um aliado de Flávio comentou que o discurso da anistia está sendo utilizado por setores da direita não-bolsonarista, como o Movimento Brasil Livre (MBL), para desmobilizar as reivindicações pela liberdade de Bolsonaro. Essa estratégia, segundo ele, poderia, inclusive, beneficiar Lula ao permitir novas indicações para o STF.
Nikolas Ferreira não hesitou em rebater essa narrativa em suas redes sociais, questionando a falta de coerência de quem critica o impeachment de Toffoli após três anos de pressão pela sua saída. Ele defendeu que o ato programado para março deve incluir a demanda pelo impeachment e a derrubada do veto da dosimetria, visto como crucial para a liberdade dos presos do 8 de janeiro.
Em resposta às críticas, o deputado Gil Diniz considerou as acusações de blindagem como “mau-caratismo” e ressaltou a importância de lembrar dos presos políticos. Ele pediu que não se deixasse de lado a luta pela anistia geral.
Nikolas reiterou que aqueles que convocam para o protesto sem incluir o impeachment de ministros do STF não devem ser confiáveis. A discussão sobre a anistia e a liberdade de Bolsonaro continua a polarizar o grupo bolsonarista, com aliados de Nikolas afirmando que suas pautas são abrangentes e incluem as preocupações do movimento.
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, também compartilhou o chamado para a manifestação, destacando seu apoio, embora tenha criticado Nikolas em ocasiões anteriores por sua falta de engajamento nas pautas do bolsonarismo.
A complexa dinâmica entre os membros da família Bolsonaro e seus aliados reflete as divisões internas e a busca por uma identidade comum em um cenário político cada vez mais fragmentado. Nikolas, por sua vez, reafirma sua intenção de concorrer novamente e já declarou apoio à candidatura de Flávio ao governo de Minas Gerais.
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