Na quarta-feira, 15 de novembro, advogados progressistas da Região Metropolitana do Recife se reuniram no Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sintepe) para um evento intitulado “Democracia em risco: organização e enfrentamento ao neofascismo”. Com entrada gratuita, o encontro contou com a presença do jurista José Geraldo de Sousa Júnior, um renomado defensor dos direitos humanos e criador da teoria do “direito achado na rua”. O evento, que começou às 18 horas, foi organizado pela Frente da Advocacia Progressista de Pernambuco, que enfatizou a importância da luta pela democracia, destacando que “democracia não se defende sozinha, ela exige coragem, organização e consciência coletiva”.
José Geraldo é conhecido por seu comprometimento com a justiça social e a resistência popular, tendo sido um dos depoentes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o Movimento Sem Terra (MST) em 2023. A mesa de debate também incluiu a presença de Tereza Mansi, advogada e dirigente da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Elisa Maria Lucena, mestre em direito constitucional pela UFPE, e Cláudio Ferreira, mestre em ciências jurídico-políticas e secretário-adjunto da OAB-PE. Elisa Lucena destacou a importância do encontro para a organização dos advogados na defesa dos trabalhadores, da democracia e da soberania brasileira.
José Geraldo, ao discutir as ameaças do neofascismo, citou o filósofo Umberto Eco, afirmando que “o fascismo é eterno”, pois se reproduz a partir de características que fundamentaram as sociedades do século XX. Ele alertou que essa ideologia de extrema-direita promove a coisificação da vida, a banalização da existência social e a criminalização da cidadania e da luta por direitos. Como professor universitário e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), ele ressaltou a importância do papel dos juristas no combate aos ataques à democracia e na luta pelas populações historicamente marginalizadas.
José Geraldo enfatizou a necessidade de mobilização entre os advogados públicos e populares, afirmando que a capacidade de resistência e de construção de alternativas para a sociedade depende desse engajamento, que deve ser realizado em conjunto com movimentos sociais e forças democráticas. Ele convocou os advogados e advogadas de Pernambuco a se unirem na reconstrução das instituições e na definição de posições firmes nas lutas pela emancipação social.
O evento representou uma oportunidade de reflexão e ação coletiva entre os profissionais do direito, reunindo vozes comprometidas com a defesa da democracia e dos direitos humanos em um contexto de crescente polarização política e ameaças à liberdade. Com um foco claro na necessidade de organização e resistência, a mesa de diálogo buscou fortalecer os laços entre os advogados e a sociedade civil, promovendo um espaço de debate sobre estratégias para enfrentar a ascensão do neofascismo e garantir a proteção dos direitos fundamentais no Brasil.
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