Anvisa Aprova Uso de Mounjaro para Diabetes Tipo 2 em Adolescentes
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta quarta-feira (22), a utilização do Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de diabetes tipo 2 em jovens com idades entre 10 e 17 anos. O medicamento, que já possuía aprovação para uso em adultos, também é indicado para o tratamento da obesidade e apneia do sono.
De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 1,1 milhão de adolescentes entre 14 e 19 anos convivem com diabetes tipo 2 globalmente. No Brasil, um levantamento de 2019 publicado na revista Pediatric Diabetes estimou que aproximadamente 213 mil adolescentes enfrentam essa condição.
A aprovação da Anvisa foi fundamentada em um estudo clínico publicado em setembro de 2025 na renomada revista The Lancet. A pesquisa, que envolveu jovens de 10 a 17 anos, evidenciou que o Mounjaro reduz a hemoglobina glicada — um indicador essencial do controle glicêmico — em média, em 2,2 pontos percentuais ao longo de 30 semanas. Ademais, o estudo revelou que as taxas de descontinuação do uso do medicamento devido a efeitos adversos foram baixas, com os efeitos mais comuns sendo náuseas, diarreia e vômito.
Outros medicamentos já aprovados para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes incluem Victoza e Lirux (liraglutida) a partir dos 10 anos, além de Saxenda, Olire (liraglutida), Wegovy e Poviztra (semaglutida) a partir dos 12 anos.
Cenário do Tratamento no Brasil
Dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) indicam que, em janeiro de 2026, foram comercializadas 3.385 caixas de medicamentos análogos ao GLP-1 para crianças e adolescentes com até 18 anos. Embora esse número seja relativamente baixo em relação ao total de vendas no mesmo período, que somou 443.815 caixas, ele chama atenção para a disponibilidade desses tratamentos para essa faixa etária.
Entretanto, a venda de medicamentos fora da faixa etária recomendada pelos fabricantes também foi observada, com 2.542 caixas comercializadas, incluindo 1.240 unidades do Mounjaro vendidas para menores de 18 anos.
Obesidade e Diabetes Infantil
O aumento no diagnóstico de diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes está frequentemente ligado à obesidade infantil, que afeta 38% da população brasileira entre 5 e 19 anos, conforme a Federação Mundial de Obesidade. Contudo, a aprovação do Mounjaro limita-se ao tratamento do diabetes tipo 2, sem indicação para o controle de peso em jovens, e a Eli Lilly, fabricante, não incentiva o uso fora das orientações especificadas.
Fábio Trujillo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), alerta que, para crianças menores de 12 anos, a prescrição off-label deve ser realizada com extrema cautela e em situações muito específicas, devido à escassez de evidências científicas. Ele destaca os riscos da automedicação, que podem incluir problemas gastrointestinais, desnutrição e complicações raras, como pancreatite ou colecistite.
Trujillo enfatiza a importância do acompanhamento multidisciplinar, que deve incluir médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Ele também expressa preocupação com os potenciais efeitos hormonais dos medicamentos, que podem impactar a digestão de nutrientes e desregular o ciclo menstrual e a ovulação, além de influenciar o humor e o comportamento dos jovens.
Em suma, embora a aprovação do Mounjaro represente um avanço significativo no tratamento do diabetes tipo 2 em adolescentes, é fundamental que seu uso seja feito com orientação médica adequada para garantir a segurança e a saúde dos pacientes.
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