Conflitos Agrários no Brasil: Aumento Alarmante de Assassinatos em 2025
Um novo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) revela um cenário preocupante sobre a violência no campo brasileiro. Em 2025, o número de assassinatos relacionados a conflitos de terra disparou para 26, um aumento de 100% em relação ao ano anterior, que registrou 13 homicídios. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 27 de abril, em Brasília, no relatório intitulado "Conflitos no Campo Brasil 2025".
A Região Norte do Brasil foi a mais afetada, concentrando mais de 50% das mortes. No Pará e Rondônia, cada estado contabilizou sete assassinatos. Outros estados que registraram homicídios incluem Bahia (4), Amazonas (2), Paraná (2), São Paulo (2), Minas Gerais (1) e Mato Grosso do Sul (1). Os agricultores sem-terra foram as principais vítimas, com 10 mortos, seguidos por sete indígenas e quatro posseiros.
Larissa Rodrigues, da Articulação das CPTs da Amazônia, destaca que esses números refletem a continuidade de um projeto histórico de expansão colonial e capitalista na Amazônia, que transforma comunidades e territórios em alvos de expropriação e violência. Segundo Rodrigues, a situação é agravada pela aliança entre grileiros, crime organizado e setores do Estado, que trabalham em conjunto para ocupar terras públicas e áreas protegidas.
Os dados também indicam que os fazendeiros são responsáveis por 77% dos assassinatos registrados em 2025, com 20 dos 26 crimes atribuídos a esse grupo.
Crescimento de Outras Violências no Campo
Além dos assassinatos, o relatório aponta um aumento significativo de outras formas de violência no campo. As prisões cresceram 56% em 2025 em comparação a 2024, enquanto os casos de cárcere privado saltaram de apenas 1 para alarmantes 105. O cárcere privado ocorre quando a vítima é mantida em sua própria casa, muitas vezes por familiares. Os registros de humilhação também dispararam, passando de 5 para 142.
Gustavo Arruda, do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, explica que o aumento dos casos de humilhação e cárcere está relacionado à ação da polícia militar em Rondônia, que interrompeu reuniões públicas de famílias sem-terra em 2025. A repressão também se estendeu à Bahia, onde 24 indígenas foram detidos.
Apesar do aumento em alguns tipos de violência, o relatório aponta que o total de vítimas de violência no campo caiu de 1.181 em 2024 para 581 em 2025, uma redução de aproximadamente 50%. O número de mulheres vítimas de violência também diminuiu, passando de 18,9% do total em 2024 para cerca de 10,5% em 2025.
Massacres e Conflitos Agrários
O relatório da CPT também destaca a ocorrência de dois massacres em 2025, definidos como incidentes com três ou mais mortes em uma única ocasião. Em junho, três pessoas foram mortas em um conflito relacionado à posse de terra em Rondônia, e em julho, três trabalhadores do movimento sem-terra foram assassinados no assentamento Coco II, no Pará.
A luta por terra continua a ser a principal causa da violência no campo, com 75% dos conflitos em 2025 relacionados a disputas de propriedade. O total de ocorrências de conflitos no campo foi de 1.593, representando uma queda de 28% em relação ao ano anterior. No entanto, essa redução não indica uma diminuição da violência, mas sim uma estabilidade preocupante.
Trabalho Análogo à Escravidão em Ascensão
O relatório também revela que em 2025, 1.991 pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão, um aumento de 22,7% em comparação a 2024. Mato Grosso foi o estado que mais registrou resgates, com 606 pessoas, sendo 586 provenientes de uma usina de etanol.
Os dados apresentados pela CPT evidenciam a urgência em abordar a violência no campo e as condições precárias enfrentadas por trabalhadores rurais, refletindo um cenário que requer atenção imediata das autoridades e da sociedade.
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