Assembleia do RS analisa impacto das enchentes em famílias afetadas

Audiência será realizada nesta quarta-feira (29), às 10h

Na quarta-feira, 29 de maio de 2024, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizará uma audiência pública com o objetivo de discutir a situação das famílias afetadas pelas enchentes que ocorreram em maio de 2022. Este evento marca o segundo aniversário da tragédia climática e busca avaliar as condições de vida atuais das pessoas impactadas, além de abordar as reivindicações que ainda não foram atendidas pelas autoridades públicas.

A audiência acontecerá no Plenarinho da Assembleia Legislativa e contará com a participação de diversos movimentos sociais e organizações que atuam em apoio às populações atingidas. Entre as entidades confirmadas, estão o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD), a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e a Ação da Cidadania. A presença desses grupos é fundamental para dar visibilidade às dificuldades que ainda persistem na vida das famílias afetadas, conforme ressaltado por Djeison Diedrich, advogado e militante do MAB em Arroio do Meio. Ele destaca que, apesar do discurso oficial de superação, muitas pessoas ainda enfrentam as consequências da enchente, sem acesso a direitos básicos e em constante risco de novas inundações.

Durante a audiência, será realizado um balanço sobre os dois anos desde a tragédia e levará ao parlamento estadual denúncias sobre a continuidade das situações de vulnerabilidade. Diedrich enfatiza a necessidade de mostrar que a realidade continua desafiadora para milhares de famílias. Além da avaliação do cenário atual, a audiência também apresentará uma proposta de Política Estadual de Direitos das Populações Atingidas por Mudanças Climáticas. Esta proposta visa estruturar respostas mais eficazes em face da crescente frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.

O militante destaca que a proposta foi desenvolvida em diálogo com diferentes movimentos sociais, visando estabelecer parâmetros mínimos para a atuação do Estado em situações de desastre. A ideia é criar mecanismos de monitoramento que garantam o cumprimento dessas diretrizes, superando a abordagem fragmentada atual, que requer reorganização das respostas institucionais a cada novo evento. Diedrich também propõe a criação de um órgão estadual com financiamento adequado para coordenar essa política, assegurando respostas mais ágeis e estruturadas para as populações afetadas.

Um dos principais objetivos da proposta é reconhecer os atingidos por mudanças climáticas como sujeitos de direitos plenos, abandonando a concepção de que eles são meros objetos das políticas públicas. A audiência pública é aberta ao público em geral e deve reunir atingidos de várias regiões do estado, além de especialistas, parlamentares e representantes de órgãos públicos. A expectativa é que o evento não apenas traga à tona as dificuldades enfrentadas pelas famílias, mas também promova um diálogo produtivo sobre as políticas necessárias para garantir os direitos e a dignidade das populações afetadas por desastres climáticos.

Fonte: Link original

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