Capela Histórica na Praia do Saco Enfrenta Risco de Desmontagem em Meio a Polêmica Ambiental
Uma capela centenária localizada na Praia do Saco, um dos destinos turísticos mais populares de Sergipe, está no centro de uma controvérsia que abrange questões de proteção ao patrimônio histórico e os impactos das mudanças climáticas. A Capela Nossa Senhora da Boa Viagem, com 175 metros de área construída, foi erguida na faixa de areia do município de Estância, a aproximadamente 70 km de Aracaju. No entanto, o avanço do mar e a erosão costeira ameaçam a estrutura do templo.
A Justiça Federal determinou que a capela seja desmontada e realocada para uma área mais segura, longe do mar. Essa decisão gerou uma mobilização entre os moradores locais, que se opõem à remoção da capela de seu local histórico. A prefeitura de Estância questiona a viabilidade da operação e ressalta que o templo foi reconhecido como patrimônio histórico, cultural e religioso do município em 2017. As origens da capela remontam a 1575, quando jesuítas iniciaram atividades de evangelização na região, mas a Justiça alega que não há evidências suficientes para confirmar que a construção seja do século XVI, e o imóvel não é tombado pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A remoção da capela é parte de uma ação civil pública do Ministério Público Federal, que identificou danos ambientais e ocupações irregulares em áreas de preservação permanente. A região abriga um ecossistema delicado, com dunas, restingas e locais de desova de tartarugas marinhas. O juiz Rafael Soares de Souza, responsável pela decisão, mencionou que as medidas tomadas até agora para combater a erosão, como a construção de enrocamentos, não foram eficazes e contribuíram para a degradação da praia. Ele argumentou que, embora a preservação cultural seja importante, ela não deve prevalecer sobre os riscos físicos que a edificação enfrenta.
O magistrado também afirmou que não há impedimentos técnicos para desmontar e remontar a capela em outro local, considerando que a estrutura não é grande e não possui elementos como cemitério ou túmulos. Exemplos de realocações bem-sucedidas de edificações históricas foram citados, como o Templo de Ísis no Egito e a Igreja de Kiruna na Suécia.
Entidades como a Prefeitura de Estância, o Governo de Sergipe e a União já propuseram um acordo à Justiça para preservar a capela, desde que medidas ambientais sejam cumpridas. As propostas incluem ações de recuperação ambiental e revisão do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro. Essa proposta foi apresentada em abril de 2025, mas ainda não foi homologada.
O procurador de Meio Ambiente de Estância, Alyson Leite, expressou sua preocupação: "A retirada da capela é uma surpresa. Não estamos tratando de algo simples, mas de uma igreja com mais de 400 anos. Se a decisão se confirmar, ela pode ser demolida." Até o momento, a prefeitura não possui um plano claro sobre o novo local ou as técnicas para a desmontagem da capela.
A comunidade local também se manifestou contra a remoção. No último domingo, o bispo de Estância, Dom Genivaldo Garcia, conduziu uma missa na capela, enfatizando sua importância histórica e religiosa. "Queremos atender ao que a Justiça solicitou, mas, acima de tudo, pedimos a permanência deste lugar sagrado", declarou.
O Governo de Sergipe anunciou que pretende recorrer da decisão judicial e reafirmou seu compromisso com a preservação ambiental da região, buscando um equilíbrio entre a proteção do ecossistema costeiro e o desenvolvimento sustentável.
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