China adota estratégias eficazes para combater desertificação

Trabalhadores de Zhongwei, na Região Autônoma Hui de Ningxia, instalam barreiras de areia quadriculadas feitas de palha no deserto de Tengger.

Ao longo de quatro décadas, a China enfrentou um grave problema de desertificação que afetava mais de um quarto do seu território, abrangendo áreas desérticas e ameaçadas por esse fenômeno. Com o lançamento do Programa Três-Nortes em 1978, o país conseguiu recuperar 336 mil km² de terra desertificada, equivalente ao território da Alemanha, além de ajudar 15 milhões de pessoas a saírem da extrema pobreza nas regiões afetadas. Esse programa surgiu em um contexto de reformas econômicas e tem como objetivo criar cinturões verdes para combater a erosão do solo e o avanço da desertificação, integrando esforços de várias esferas governamentais e da sociedade.

A desertificação é um problema global e a China é um dos países mais afetados, com mais de 2,5 milhões de km² de terras degradadas, o que representa 26,81% do seu território. Os desertos mais significativos estão localizados no norte e noroeste do país, como o Taklamakan e o Gurbantünggüt. A desertificação traz consequências severas, como a perda de terras agricultáveis, tempestades de areia carregando poluentes até grandes cidades e dificuldades para o desenvolvimento rural, ameaçando a segurança alimentar de uma população de 1,4 bilhão de pessoas.

As causas da desertificação na China são diversas, incluindo a exploração excessiva de recursos naturais, pastoreio intensivo e práticas agrícolas inadequadas. Estes fatores, combinados com o manejo inadequado da água, contribuíram significativamente para a degradação das terras. Em resposta, a China agora recupera 53% de suas terras arenosas, tendo alcançado a meta da ONU de degradação líquida zero antes de 2030.

O Programa Três-Nortes é estruturado em fases e etapas, com previsão de conclusão em 2050, e abrange 13 províncias, desde Xinjiang a Heilongjiang. A implementação deste programa se alicerça em um conceito de civilização ecológica, que foi incorporado à Constituição em 2018, promovendo um desenvolvimento sustentável que respeita a interconexão entre os ecossistemas.

A política de reflorestamento da China se destaca por utilizar espécies nativas adequadas a cada região, evitando a escolha de plantas apenas pela rapidez de crescimento. Um Código Ecológico, que foi recentemente aprovado, protege os ecossistemas nativos de intervenções inadequadas. Além disso, a coleta de dados sobre solos e espécies vegetais é fundamental para a restauração eficaz das áreas degradadas.

A governança da política de combate à desertificação envolve uma articulação entre diferentes níveis de governo e a participação ativa das comunidades locais. As famílias têm direitos de uso de terras desertificadas, desde que se comprometam com a recuperação ambiental, cultivando plantas que ajudam a estabilizar o solo. Projetos futuros, como os do 15º Plano Quinquenal, visam integrar ainda mais a luta contra a desertificação com iniciativas de energia solar.

A experiência da China levanta questões pertinentes sobre como enfrentar crises ecológicas em escala global. No Brasil, a aridização avançou em várias regiões, destacando a necessidade de políticas públicas eficazes. O modelo chinês, com sua combinação de planejamento de longo prazo, ciência aplicada e participação comunitária, oferece insights valiosos para o debate sobre restauração ecológica, especialmente no contexto do Sul Global.

Fonte: Link original

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