O relatório final da CPI do Crime Organizado, que encerrou recentemente, propôs uma nova intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, lembrando a intervenção anterior de 2018, decretada pelo presidente Michel Temer. Essa primeira intervenção, comandada pelo general Walter Braga Netto, teve como objetivos principais a redução da criminalidade e a reorganização das forças policiais, tendo alcançado resultados positivos em diversos índices de crime, como latrocínios e roubos. No entanto, a intervenção foi descontinuada pelo governador Wilson Witzel, que assumiu o cargo no mesmo dia do término da operação e posteriormente ignorou as diretrizes estabelecidas, priorizando operações pontuais em favelas em vez de uma segurança contínua.
A intervenção de 2018 foi uma resposta a uma grave crise de segurança pública, exacerbada por uma crise econômica que afetava o estado desde 2015. O assassinato da vereadora Marielle Franco durante o período de intervenção aumentou a pressão sobre os interventores, que enfrentavam a expectativa de resultados rápidos, mesmo com a liberação de verbas federais ocorrendo somente meses depois do início das operações. Apesar dos desafios, a intervenção conseguiu uma queda significativa nos índices de criminalidade, embora a taxa de letalidade violenta tenha aumentado inicialmente, mas posteriormente registrado uma queda.
Após o fim da intervenção em janeiro de 2019, Witzel e seu sucessor, Cláudio Castro, enfrentaram um cenário de variações nas estatísticas de criminalidade. Enquanto alguns tipos de crime diminuíram, outros aumentaram, com o governo de Castro registrando uma queda total de homicídios de 6,8% durante seu mandato, apesar de operar em um contexto de operações policiais de alta letalidade. Essas operações geraram controvérsia, com organizações de direitos humanos contestando os números oficiais, alegando que havia vítimas inocentes entre as mortes.
O relatório da CPI, escrito pelo senador Alessandro Vieira, descreve a situação da segurança pública no Rio de Janeiro como crítica, destacando a infiltração do crime organizado nas instituições públicas e a presença de facções poderosas, como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro. Vieira argumenta que a complexidade da situação exige uma resposta estatal significativa, propondo uma nova intervenção federal. No entanto, a recomendação não foi aprovada devido a uma manobra política do governo, que impediu a votação do relatório.
A recomendação de intervenção federal, embora sem efeito vinculante, reflete a urgência da situação no Rio, onde milhões de cidadãos vivem sob a influência de organizações criminosas. A falta de ações integradas em áreas complementares à segurança, como políticas sociais e urbanização, foi apontada como uma das razões para a limitação dos resultados da intervenção anterior. O governo federal ainda não se manifestou sobre a proposta, e até o momento, não há indicativos de que uma nova intervenção será implementada.
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