Os recentes comentários da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), geraram polêmica ao serem divulgados em vídeos que viralizaram na internet. Durante uma sessão da Corte, ela fez uma comparação controversa entre as restrições financeiras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos penduricalhos da magistratura e um “regime de escravidão”. A magistrada, que tem 74 anos e recebeu R$ 44.431,77 líquidos em fevereiro de 2026, relatou que seus colegas estão enfrentando dificuldades financeiras, a ponto de deixarem de ir ao médico e de comprarem remédios.
Eva do Amaral Coelho, que acumulou R$ 227 mil em rendimentos no primeiro bimestre de 2026, possui benefícios significativos, como um automóvel híbrido avaliado em cerca de R$ 175 mil e motorista exclusivo, ambos custeados pelo TJPA. O Tribunal desembolsa cerca de R$ 544 mil mensais para a locação de 40 veículos e a manutenção de motoristas, um contrato firmado após o aumento no número de desembargadores de 30 para 40, totalizando uma previsão de R$ 32,6 milhões em cinco anos.
O episódio levantou questões sobre a disparidade entre os altos salários e benefícios dos magistrados e as alegações de dificuldades financeiras. O espaço para manifestação do TJPA sobre os comentários de Eva Coelho permanece aberto, conforme solicitado pela Gazeta do Povo.
A trajetória de Eva do Amaral na Justiça é marcada por momentos importantes, incluindo sua atuação no Massacre de Eldorado dos Carajás em 1996, onde 19 trabalhadores rurais foram mortos por policiais militares. Ela foi responsável por conduzir fases decisivas do julgamento, mas sua atuação gerou controvérsias, como a retirada de um laudo técnico que apontava a responsabilidade dos militares e seu subsequente desligamento do processo.
Eva ingressou no Judiciário em 1985, após ser aprovada em concurso público, começando sua carreira na Comarca de Afuá, a 254 quilômetros de Belém. Ao longo de sua trajetória, ocupou diversas comarcas, incluindo Primavera, Conceição do Araguaia e Castanhal, até chegar à 3ª Entrância em Belém, onde atuou em várias varas criminais. Antes de se tornar magistrada, foi advogada e trabalhou no Serviço Federal de Processamento de Dados, além de ter se formado em Direito em 1980.
Eva do Amaral também teve uma passagem significativa pela Justiça Eleitoral, onde atuou em diversas comarcas e integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) entre 2012 e 2016. Em sua carreira, recebeu a Medalha Desembargador Ermano Rodrigues do Couto, em 2021, em reconhecimento à sua contribuição ao Judiciário paraense.
Em sua posse como desembargadora em julho de 2020, Eva declarou estar “pronta para o combate” e prometeu se dedicar ao TJPA com o mesmo empenho que havia demonstrado em todas as comarcas por onde passou. A repercussão de suas declarações recentementes levanta questões sobre a relação entre salários, benefícios e a realidade enfrentada por muitos magistrados e servidores do Judiciário.
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