Estado de SP deve indenizar família de vítima de ação policial

Justiça condena estado de SP a indenizar família de homem morto por PM

Em um caso que gerou intensa repercussão, a Justiça de São Paulo determinou que o estado deve pagar R$ 200 mil de indenização à família de Gabriel Renan da Silva Soares, um jovem de 26 anos que foi fatalmente atingido por um policial militar em um incidente ocorrido em 3 de novembro de 2024. Gabriel foi morto por Vinicius de Lima Britto, um policial que estava de folga, enquanto tentava fugir após ter furtado produtos de limpeza em um mercado na zona sul da capital paulista.

O incidente se desenrolou quando Gabriel, após furtar os itens, saiu correndo do mercado, mas escorregou e caiu na calçada. Ao se levantar e tentar escapar, foi alvejado pelo policial, que disparou 11 vezes pelas costas da vítima. Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento mostraram que Britto estava no caixa quando Gabriel saiu correndo. Ao perceber a situação, o policial se dirigiu à saída, armou-se e disparou contra o jovem.

A decisão do juiz Fabricio Figliuolo Fernandes baseou-se na Teoria do Risco Administrativo, que estabelece a responsabilidade civil objetiva do Estado por ações de seus agentes, mesmo durante períodos de folga, se estes utilizarem sua condição de autoridade ou recursos disponibilizados pelo cargo. O juiz argumentou que o policial, ao utilizar sua arma e intervir em um suposto ato delituoso, agiu como um representante do Estado. Assim, a intervenção dele foi considerada como um exercício da função policial, que acarreta responsabilidade civil para o Estado.

Além da condenação ao pagamento da indenização, o policial Vinicius de Lima Britto já havia sido condenado anteriormente a uma pena de dois anos, um mês e 27 dias de detenção em regime semiaberto, e perdeu seu cargo público. Contudo, essa condenação ainda não é definitiva, pois o Ministério Público de São Paulo (MPSP) recorreu da decisão, e Britto será submetido a um novo julgamento por júri popular.

A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, por sua vez, informou que ainda não havia sido notificada sobre a decisão judicial que determinou a indenização. O caso levanta questões críticas sobre a atuação da polícia e a responsabilidade do Estado em situações de uso excessivo da força, especialmente em contextos em que a ação é tomada por agentes em momentos de folga.

A tragédia envolvendo Gabriel Renan da Silva Soares destaca os desafios enfrentados na relação entre a polícia e a sociedade, e como eventos como esse podem impactar não apenas as famílias das vítimas, mas a percepção pública sobre a segurança e a justiça. O desfecho do caso de Britto, com o novo julgamento programado, poderá trazer mais clareza e, potencialmente, influenciar políticas sobre a atuação policial em situações semelhantes no futuro.

Fonte: Link original

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