Atualmente, pelo menos 50 das 69 universidades federais do Brasil estão enfrentando greves, seja de forma parcial ou total, envolvendo os funcionários técnico-administrativos. Essas mobilizações, que têm predominância na região Sudeste com 16 instituições paralisadas, são seguidas pelo Nordeste com 14, Sul com 13, Norte com 5 e Centro-Oeste com 2. A Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) divulgou um relatório que revela que as paralisações já se estendem por dois meses e incluem novas mobilizações iniciadas no último sábado, dia 18.
Os funcionários que estão em greve desempenham funções essenciais em diversas áreas, como bibliotecas, rádios, cantinas e hospitais universitários. As principais reivindicações incluem o cumprimento de um acordo que garantiria melhorias para aposentados e a redução da jornada de trabalho de 40 horas semanais para 30 horas. Além disso, os trabalhadores dos hospitais universitários exigem a regulamentação do plantão de 12×60, que consiste em 12 horas de trabalho seguidas por 60 horas de descanso, o que totaliza cerca de 10 a 11 plantões mensais.
Em uma mobilização significativa, ocorreu no dia 15 de março a “Marcha da Classe Trabalhadora”, organizada pelo Comando Nacional de Greve (CNG) da Fasubra. Esse evento não apenas abordou as questões específicas da categoria, mas também incluiu a luta por mudanças na legislação trabalhista no setor privado, especialmente no que diz respeito ao fim da escala 6×1. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) relacionada a essa pauta está atualmente em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, sob a relatoria do deputado federal Paulo Azi (União-BA).
Outro ponto importante das reivindicações é o pedido para que o presidente Lula regulamente o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que é um benefício financeiro baseado na experiência e qualificação profissional dos trabalhadores. Essa regulamentação é vista como essencial para a valorização do trabalho e das competências adquiridas ao longo da carreira.
A situação das universidades federais e a mobilização dos trabalhadores técnico-administrativos refletem um cenário de insatisfação com as condições de trabalho e a necessidade de melhorias significativas nas políticas públicas relacionadas à educação e à gestão dos recursos humanos nas instituições de ensino superior. A Fasubra, representando esses trabalhadores, busca pressionar o governo e as instituições para que atendam às suas reivindicações, que visam não apenas a melhoria das condições de trabalho, mas também o fortalecimento da educação pública no Brasil.
Os Ministérios da Educação e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos foram contatados pela Gazeta do Povo, que aguarda manifestações oficiais sobre a situação atual e as reivindicações dos grevistas. A continuidade das mobilizações nas universidades federais evidencia a importância do diálogo entre as instituições de ensino e seus funcionários, em busca de soluções que atendam às demandas dos trabalhadores e garantam a qualidade dos serviços prestados.
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