Em 2025, o Brasil registrou um total de 1.006 greves, representando um aumento de 14% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 880 mobilizações. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor privado e pelas empresas estatais, enquanto o número de paralisações no funcionalismo público permaneceu estável. Segundo o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o setor privado respondeu por 539 greves, correspondendo a 53,6% do total. As mobilizações no setor de serviços foram as mais significativas, totalizando 69,4% das greves no privado, com destaque para os setores de transporte (24%) e turismo e hospitalidade (22%).
O caráter defensivo das greves predominou, com 86,8% das mobilizações no setor privado focadas em reivindicações relacionadas ao descumprimento de direitos trabalhistas. As principais causas foram: 43,2% exigindo salários atrasados, 35,8% abordando questões de alimentação, 22,4% pleiteando reajustes salariais e 14,8% relacionadas a condições de trabalho. O Dieese conclui que o aumento das greves reflete um padrão que se consolidou desde 2016, onde a paralisação se tornou um recurso extremo para trabalhadores em condições laborais precarizadas, caracterizadas por baixa remuneração e alta exposição a abusos patronais.
Curiosamente, esse crescimento das greves ocorreu em um contexto de melhora dos indicadores econômicos. A taxa média de desocupação caiu para 5,6%, o menor patamar desde 2012, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%. A economista Juliane Furno, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), sugere que os dados reafirmam a ideia de que a atividade sindical tende a se fortalecer em períodos de crescimento econômico e queda do desemprego. Contudo, ela destaca que, mesmo com a melhoria no mercado de trabalho, as pautas das greves são majoritariamente defensivas, o que a distancia de momentos anteriores de crescimento econômico, como em 2012, quando as demandas eram mais ofensivas e focadas na ampliação de conquistas.
Furno observa que, apesar do aumento das greves, a duração delas diminuiu. Em 2025, o total de horas paradas caiu 10%, de 36,7 mil para 33,1 mil, com 59,4% das greves encerrando no mesmo dia em que começaram e 43,5% utilizando táticas de advertência. O reajuste salarial foi a pauta mais comum, presente em 35,1% das mobilizações, seguido por questões de alimentação e salários atrasados.
Entre as greves no funcionalismo público, foram registradas 395 mobilizações, com predominância nas redes municipais e especialmente entre profissionais da educação, que representaram 48% das paralisações nesse setor. As pautas incluíram, em sua maioria, reivindicações por reajuste salarial (54,4%) e protestos contra governos (51,1%). Em empresas estatais, o número de greves aumentou 54% em relação a 2024, com destaque para os urbanitários e trabalhadores das comunicações, que representaram 25% e 24% das paralisações, respectivamente.
Esse panorama ressalta um cenário de trabalho cada vez mais precário, onde, mesmo com uma economia em crescimento, as relações trabalhistas se deterioram, refletindo uma fragilidade nas condições de trabalho e nos direitos dos trabalhadores.
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