A recente mudança de poder na Hungria, com a derrota do líder de extrema direita Viktor Orbán pelo conservador Péter Magyar, do Partido Tisza, levanta questionamentos sobre o futuro das relações entre Budapeste e Moscou. Após 16 anos no poder, Orbán era visto como um aliado próximo da Rússia, e sua saída provoca incertezas sobre a postura da Hungria em relação às políticas da União Europeia (UE) e à guerra na Ucrânia.
Nas primeiras declarações após sua vitória, Magyar adotou um tom pragmático, afirmando que a Hungria pretende manter relações com Moscou e continuar importando petróleo russo. Ele reconheceu, no entanto, que a Rússia representa uma ameaça à segurança da UE. O cientista político Vladimir Dzharalla sugere que as declarações iniciais de Magyar devem ser vistas como um sinal de continuidade nas relações húngaras com a Rússia, ao mesmo tempo em que ele busca evitar uma mudança abrupta na política externa.
A eleição de Magyar também tem implicações significativas para a Rússia, que vê a perda de Orbán como um obstáculo ao apoio da UE à Ucrânia e à aprovação de sanções contra Moscou. Recentemente, a Hungria bloqueou a 20ª rodada de sanções contra a Rússia, além de um empréstimo da UE de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, em resposta ao corte no trânsito de petróleo russo pelo gasoduto Druzhba.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou descontentamento com a posição da Hungria e sugeriu que o fornecimento de petróleo seria retomado somente após a remoção das objeções húngaras ao empréstimo. Magyar, por sua vez, rejeitou essa abordagem, insistindo que a Hungria não toleraria chantagens.
O Kremlin, por sua parte, manteve um tom cauteloso após a eleição, com o porta-voz Dmitry Peskov afirmando que a Rússia respeita a escolha húngara e espera continuar os contatos pragmáticos com o novo governo. Ele ressaltou a importância de um diálogo saudável entre os dois países, embora a transição de poder introduza incertezas sobre as futuras relações.
A derrota de Orbán significa que Moscou perde seu principal interlocutor na UE, o que pode afetar a dinâmica de apoio europeu à Ucrânia e as sanções contra a Rússia. No entanto, os primeiros sinais do governo de Magyar indicam uma abordagem pragmática, embora o equilíbrio entre Bruxelas e Moscou possa ser desafiador.
A pressão da UE sobre a Hungria para alinhar-se com as diretrizes do bloco, especialmente no que diz respeito ao apoio à Ucrânia e ao endurecimento das sanções contra a Rússia, é uma questão a ser observada. Peskov criticou a continuidade do apoio militar à Ucrânia, afirmando que isso contraria os esforços por uma solução pacífica para o conflito.
Após a vitória de Magyar, líderes europeus, como Ursula von der Leyen, celebraram a mudança, sugerindo uma nova era nas relações da Hungria com a UE. Contudo, os desafios econômicos que a Hungria pode enfrentar ao alinhar-se com as políticas europeias podem impactar a popularidade do novo primeiro-ministro. O equilíbrio entre as expectativas da UE e a realidade econômica interna será crucial para a sustentabilidade do governo de Magyar.
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