O evento organizado pela professora Eliana Franco Neme teve como tema central o uso de inteligência artificial pelo poder público na formulação de políticas sociais e suas implicações sobre direitos fundamentais, especialmente no que tange à proteção de dados. Participaram como avaliadores o juiz federal Peter de Paula Pires, o juiz estadual Gilson Miguel Gomes da Silva e o ex-promotor de Justiça Octávio Verri Filho. O evento, denominado Debate Multicorte, desafiou os estudantes a lidarem com um dilema contemporâneo, oferecendo um espaço para que eles construíssem e defendessem diferentes posições jurídicas sobre a validade do uso de tecnologias avançadas em contextos sensíveis.
Os alunos foram divididos em equipes e se engajaram em simulações que reproduziam um julgamento em instância superior. Durante o processo, eles desenvolveram memoriais escritos e assumiram papéis de recorrentes, que contestam decisões judiciais, e de recorridos, que defendem essas decisões. Essa dinâmica de inverter papéis não apenas ampliou a compreensão dos alunos sobre as controvérsias constitucionais, mas também refinou suas habilidades argumentativas e técnicas, essenciais para o exercício da profissão.
A proposta do evento foi desenhada para replicar o ritmo e a pressão do ambiente jurídico real. Segundo Eliana, o foco estava em desenvolver a oralidade, uma habilidade cada vez mais valorizada no campo do Direito. A professora destacou que a iniciativa surgiu da observação de que os alunos estavam se sentindo despreparados para competições jurídicas e para o mercado de trabalho. Assim, o evento se configurou como uma resposta a essa demanda por uma formação mais robusta e prática.
Os estudantes expressaram que o contato com situações práticas, ainda nos primeiros anos da graduação, é fundamental para concretizar o aprendizado teórico. Larissa Ferreira, uma das participantes, enfatizou que o Direito é muitas vezes ensinado de maneira muito doutrinária e legislativa. Ela destacou a importância de experiências práticas, que permitem aos alunos visualizar melhor suas futuras carreiras e aumentam sua segurança para atuar no mercado. Larissa também observou que muitos estudantes só têm contato com a prática profissional ao ingressar no mercado de trabalho, o que torna iniciativas como essa extremamente benéficas.
Essa abordagem prática, promovida pela professora Eliana e sua equipe, busca não apenas preparar os alunos para competições, mas também para os desafios que enfrentarão em suas carreiras jurídicas. Ao proporcionar um ambiente de aprendizado que simula a realidade do Direito, o evento contribui para uma formação mais completa e integrada, preparando os alunos de forma mais eficaz para as exigências do mercado.
Em suma, o Debate Multicorte representa uma inovação na formação jurídica, ao colocar os estudantes em situações que exigem raciocínio crítico, articulação e a capacidade de defender suas ideias sob pressão, habilidades essenciais para qualquer profissional do Direito. A experiência prática adquire, assim, um papel central na educação dos futuros juristas, preparando-os para os desafios do exercício da profissão em um mundo cada vez mais complexo e tecnológico.
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