Um rabino extremista, Avraham Zarbiv, que ganhou notoriedade por demolir casas de civis em Gaza com tratores, acenderá uma tocha na celebração do Dia da Independência de Israel, uma escolha que gerou forte polêmica e críticas de ativistas de direitos humanos. Zarbiv é uma das 14 pessoas escolhidas para representar o que o governo israelense considera “contribuições extraordinárias para a sociedade e o Estado”. Entre os homenageados estão também um cientista, um chef renomado, um médico, membros das forças de segurança e empresários, destacando a diversidade de áreas reconhecidas na cerimônia.
Zarbiv, que é reservista do exército israelense e opera um trator blindado, se tornou uma figura polarizadora na sociedade israelense. Ele é conhecido por suas ações agressivas em Gaza, onde frequentemente se filma demolindo casas palestinas e proferindo discursos incendiários que incluem declarações de ameaça contra os palestinos. Em um vídeo, ele declara: “Vocês não terão mais nada”, enquanto a câmera exibe a destruição ao seu redor. Sua retórica e ações têm sido tão controversas que até mesmo as Forças Armadas de Israel se distanciaram publicamente dele, afirmando que sua seleção para a cerimônia não foi coordenada com os militares, e que ele não os representa.
Zarbiv ganhou destaque nacional em 2024, quando foi filmado lançando granadas em Khan Younis, durante um confronto armado. Desde então, ele se tornou uma figura proeminente entre os extremistas, sendo seu nome utilizado como um verbo que significa “arrasar” ou “obliterar”. Ele combina suas ações violentas com elementos tradicionais de liderança religiosa, como tocar o shofar (um chifre de carneiro) e recitar passagens da Torá, o que agrava ainda mais a controvérsia em torno de sua figura.
A escolha de Zarbiv para acender a tocha no Dia da Independência foi defendida pela ministra Miriam Regev, que elogiou sua dupla liderança como rabino e soldado, ressaltando a conexão entre “a Bíblia e a espada”. No entanto, essa escolha foi amplamente criticada por organizações de direitos humanos, como a B’Tselem, que afirmaram que tal ato simboliza a aceitação do genocídio e da limpeza étnica como parte do “espírito da nação” israelense. A crítica evidencia a preocupação com a normalização da violência e da impunidade em relação aos crimes de guerra, especialmente no contexto da longa e complexa história do conflito israelo-palestino.
A cerimônia de acendimento da tocha no Dia da Independência, que deveria ser um momento de celebração e unidade, foi transformada em um ponto de tensão e divisão, refletindo as profundas fissuras na sociedade israelense. O ato de homenagear uma figura tão polarizadora como Zarbiv levanta questões sobre o que significa ser israelense e como a violência e a retórica extremista estão se infiltrando na cultura nacional. O evento, portanto, não é apenas uma celebração, mas também um reflexo das complexidades e desafios que Israel enfrenta em sua busca por uma identidade e valores coletivos.
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