Surto de Ciclospora: Casos Diminuem e Alface Volta a Ser Considerada Segura
Após uma onda alarmante de casos de infecção por ciclospora, o cenário parece estar melhorando. O número de casos confirmados e suspeitos ultrapassa 22 mil em 15 estados dos EUA, resultando em 517 hospitalizações e dois óbitos em Michigan. No entanto, especialistas afirmam que o alface agora pode ser consumido com mais segurança.
O alerta inicial sobre a contaminação estava ligado ao alface do tipo iceberg proveniente do centro do México, distribuído pela empresa Taylor Farms, incluindo em restaurantes Taco Bell. Em 17 de julho, a Taylor Farms anunciou um recall de alfaces picadas e misturas de saladas com data de validade até 3 de agosto, orientando os consumidores a descartarem imediatamente os produtos afetados. Supermercados e restaurantes são responsáveis por retirar os itens recallados do mercado.
“Esse produto não está mais disponível, então, o risco de contaminação por ciclospora ao consumir alface é consideravelmente menor”, afirma Kali Kniel, professora de segurança alimentar microbiana na Universidade de Delaware. Contudo, a cautela ainda é recomendada ao escolher alimentos. Até 6 de agosto, novas investigações revelaram dois novos surtos de ciclostomose, sem fonte identificada, com autoridades da Carolina do Norte analisando a possibilidade de contaminação por salsinha e coentro. Simultaneamente, um surto de salmonela associado a jalapeños afetou pelo menos 345 pessoas em 27 estados, levando a Taylor Fresh Foods a emitir um recall de jalapeños e produtos que os contêm, como salsas e guacamole.
Os casos de ciclostomose podem continuar a aumentar nas próximas semanas devido ao intervalo entre a exposição e o surgimento dos sintomas, além de atrasos na busca por atendimento, realização de testes e a ligação dos casos a produtos contaminados. Em média, os sintomas aparecem cerca de sete dias após a exposição, mas podem levar até 14 dias para se manifestar. Considerando o período médio de incubação e o recall em meados de julho, a maioria das exposições provavelmente ocorreu em junho e na primeira metade de julho.
Embora exista a possibilidade de algumas pessoas terem sido expostas ao parasita após o recall, caso tenham consumido produtos contaminados que estavam em casa, o prazo de validade desses itens já passou, e os produtos originalmente afetados devem ter sido descartados.
Em Michigan, o estado mais atingido, foram relatados mais de 12 mil casos desde junho. Normalmente, Michigan registra entre 40 e 50 casos de ciclostomose anualmente. No entanto, as novas infecções têm mostrado uma tendência de queda desde o final de julho. Em 6 de agosto, o departamento de saúde do estado informou que os residentes não precisam mais evitar misturas de saladas embaladas e podem retomar suas práticas habituais de manipulação de alimentos, já que os relatos de novos casos e visitas ao pronto-socorro relacionadas a diarreia estão diminuindo.
“Estamos vendo menos casos reportados em comparação às semanas anteriores e menos pessoas relatando o início de novos sintomas, o que nos dá confiança crescente de que o surto está diminuindo”, declarou Laina Stebbins, porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan. O departamento identificou o alface e as folhas verdes como possíveis fontes do surto em 13 de julho, recomendando que os consumidores optem por alfaces inteiras em vez de produtos embalados e que descartem as folhas externas, lavando bem as internas antes do consumo. O parasita ciclospora se adere a superfícies e fissuras de produtos crus e é resistente a desinfetantes alimentares comuns, dificultando sua eliminação.
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