Peru: ultraconservador e esquerda brigam por cada voto no 2º turno

A candidata à presidência do Peru pelo partido Fuerza Popular, Keiko Fujimori, fala durante uma coletiva de imprensa ao lado de Luis Galarreta Velarde (E), como candidato a primeiro vice-presidente, e Miki Torres Morales (D), como candidato a segundo vice-presidente, após os primeiros resultados da eleição presidencial em Lima, em 13 de abril de 2026. A candidata de direita Keiko Fujimori liderou as pesquisas de boca de urna após a conturbada eleição presidencial do Peru em 12 de abril de 2026, mas não conseguiu evitar um segundo turno após uma votação acirrada marcada por irregularidades e uma invasão policial à autoridade eleitoral do país.

A eleição presidencial do Peru, realizada em 17 de abril de 2023, permanece sem definição após cinco dias de contagem de votos. Com 35 candidatos na disputa, o país vive um período de intensa instabilidade política, tendo tido nove presidentes em apenas dez anos. A direitista Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera a corrida com 17% dos votos e já garantiu sua presença no segundo turno, marcado para 7 de junho. O adversário que a acompanharia nesse segundo turno ainda está indefinido, com os candidatos Roberto Sánchez Palomino, alinhado à esquerda e apoiador do ex-presidente Pedro Castillo, e o ultraconservador Rafael Aliaga, separados por menos de 3 mil votos.

Até o momento, foram contabilizados 93,3% dos votos. Fujimori, que já perdeu em três eleições anteriores, enfrenta resistência devido à herança política de seu pai, condenado por violações de direitos humanos. Ela tenta se reposicionar como uma alternativa alinhada aos Estados Unidos, fazendo acenos a Donald Trump e propondo políticas que visam estancar a influência da China, especialmente em relação ao Porto de Chancay.

Sánchez, com 12% dos votos, é visto como um representante do nacionalismo popular que busca atender as demandas das populações rurais e propõe reformas, como a nacionalização de recursos naturais e a convocação de uma nova constituinte. Apesar de sua conexão com a população rural, sua trajetória política é marcada por sua atuação no Congresso. Aliaga, com 11,9% dos votos, é considerado um candidato da extrema direita, com um discurso que combina conservadorismo e defesa do livre mercado, frequentemente comparado a figuras como Donald Trump e Javier Milei.

Durante a contagem dos votos, Aliaga, que inicialmente aparecia em segundo lugar, denunciou supostas fraudes eleitorais após ser ultrapassado por Sánchez, mas não apresentou evidências concretas. A União Europeia, que fiscalizou as eleições, não encontrou indícios de irregularidades, apesar de alguns atrasos em locais de votação.

A governabilidade no Peru é um grande desafio, tendo em vista a fragmentação do sistema político. Independentemente de quem vencer, a relação com o parlamento será complicada, exigindo concessões para formar uma base de apoio. A crise política no país se intensificou após a destituição do ex-presidente Pedro Castillo, que foi preso por tentativa de dissolver o parlamento, e sua vice, Dina Boluarte, que enfrentou forte oposição e foi destituída após repressão violenta a protestos.

A situação política do Peru reflete uma luta mais ampla entre interesses de diferentes grupos, incluindo a disputa comercial entre China e Estados Unidos na América Latina. O resultado da eleição poderá ter repercussões significativas não apenas para o Peru, mas para toda a região, considerando a influência que a política interna exerce sobre as relações exteriores e a estabilidade social. Com a contagem de votos ainda em andamento e um clima de incerteza, a população aguarda ansiosamente os desdobramentos da eleição e a definição de seu próximo líder.

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