Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, analisa a queda no número de matrículas no ensino fundamental e médio, conforme os dados do Censo Escolar de 2025, que indicam uma diminuição de 1,08 milhão de estudantes na rede pública, representando 2,29% do total. A redução abrange todas as etapas educacionais, mas é especialmente acentuada no ensino médio, onde houve uma perda de cerca de 425 mil alunos, com 60% dessa queda ocorrendo no Estado de São Paulo.
Cássio explica que a diminuição de matrículas é influenciada por diversos fenômenos, sendo um deles a mudança demográfica, que inclui o envelhecimento da população e a redução da faixa etária em idade escolar. No entanto, essa mudança demográfica não é suficiente para justificar a queda expressiva de matrículas observada, especialmente no ensino médio, onde a redução chega a 6% a 7%. No Estado de São Paulo, essa queda é ainda mais alarmante, atingindo 17%.
O professor enfatiza que a principal causa da diminuição no total de matrículas é o ensino médio. A rede estadual de São Paulo, por exemplo, apontou que, ao alterar a metodologia de contagem das matrículas, deixou de registrar duplicações ocorridas anteriormente devido a reformas no ensino médio. Essa nova abordagem fez com que as matrículas caíssem abruptamente. Entre 2021 e 2024, a ampliação das matrículas não acompanhou o crescimento populacional, complicando a situação de contagem.
Além disso, Cássio menciona a falta de diretrizes claras do Ministério da Educação (MEC) durante os governos anteriores, que dificultou o registro correto das matrículas. A nova reforma introduzida em 2025 pelo Inep busca corrigir essas falhas, estabelecendo regras mais claras para o preenchimento dos dados. Portanto, a queda nas matrículas não é resultado direto da evasão escolar ou da saída de alunos para o mercado de trabalho, mas sim de problemas metodológicos.
Embora a evasão escolar seja um desafio real, Cássio ressalta que a magnitude da queda nas matrículas não pode ser atribuída apenas a esse fenômeno. Ele critica a ideia de que um grande número de jovens estaria abandonando a escola em busca de emprego, afirmando que, para justificar uma redução de 17% em um estado tão populoso, seria necessário um evento extremo.
Desde 2023, o governo federal implementou uma política de incentivo financeiro, chamada “Pé-de-Meia”, para encorajar a permanência dos alunos no ensino médio. Cássio observa que essa medida tem mostrado resultados positivos, indicando que a condição financeira pode influenciar a decisão dos estudantes de permanecer na escola. Ele conclui que, apesar de a evasão escolar existir, ela não pode ser a explicação primária para a significativa redução das matrículas registradas. Assim, a queda é mais um reflexo das mudanças na metodologia de contagem e na administração educacional do que uma crise de abandono escolar em larga escala.
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