Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso é Interditado em Razão de Alzheimer Avançado
O ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, de 94 anos, enfrenta a batalha contra o Alzheimer em estágio avançado. Devido à sua condição, seus filhos solicitaram a interdição judicial para a administração de seus bens, pedido que foi acatado pela Justiça de São Paulo na última quarta-feira, dia 15. Com isso, Paulo Henrique Cardoso assumirá a responsabilidade pela vida financeira e patrimonial do pai.
A fase avançada do Alzheimer é caracterizada por uma significativa perda de memória, desorientação temporal e espacial, além de dificuldades na comunicação e dependência para realizar atividades cotidianas. Especialistas explicam que, embora não haja um exame específico que confirme essa fase, o diagnóstico é baseado em sinais clínicos e na avaliação da autonomia do paciente.
O neurologista Rodrigo Schultz, ex-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), destaca que a fase avançada é a mais longa da doença e pode não se manifestar de forma extrema. “Muitas pessoas acreditam que, nesta fase, o paciente está completamente dependente e incapaz de se comunicar. No entanto, isso é um estágio ainda mais tardio, que pode levar anos para se desenvolver”, esclarece.
Entre os principais sinais dessa fase, a perda severa da memória se destaca. O paciente pode não se lembrar de eventos recentes, como atividades realizadas no mesmo dia. A desorientação se intensifica, tornando difícil para a pessoa reconhecer o tempo, o espaço e até mesmo as pessoas ao seu redor. Além disso, a comunicação se torna limitada, com frases curtas e dificuldade em nomear objetos.
Na esfera comportamental, podem surgir apatia, agitação, agressividade, alterações no sono e diminuição do apetite. O tratamento do Alzheimer envolve mais do que medicamentos; requer acompanhamento multidisciplinar que inclui neurologistas, gerontólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e psicólogos.
A gerontóloga Thaís Bento Lima, professora da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de grupos de apoio para cuidadores da Abraz, destaca a importância de cuidados específicos na fase avançada. A alimentação deve ser adaptada para evitar riscos de engasgos, e a posição do paciente durante as refeições é crucial. “É fundamental que um cuidador nunca ofereça alimentos quando o paciente estiver deitado”, enfatiza.
A prevenção de lesões de pele, conhecidas como escaras, é outra preocupação. A imobilidade pode aumentar esse risco, especialmente para pacientes que permanecem longos períodos deitados. A manutenção da pele hidratada e a mudança frequente de posição são medidas essenciais.
A segurança no ambiente doméstico também não pode ser negligenciada. É necessário manter objetos cortantes e produtos de limpeza fora do alcance, além de instalar proteções em tomadas e garantir boa iluminação, especialmente à noite. Móveis firmes e calçados antiderrapantes são recomendados para prevenir quedas.
Mesmo na fase avançada, o cérebro ainda responde a estímulos, especialmente os ligados à memória afetiva. A música pode ser uma ferramenta poderosa. “Usar músicas que o paciente aprecia pode estimular a interação”, sugere Lima. Aromas e texturas familiares também ajudam a manter a conexão com o ambiente.
Por fim, o convívio social é fundamental. A gerontóloga recomenda que familiares e amigos mantenham visitas regulares, mesmo que o paciente não reconheça as pessoas. Atividades simples, como olhar álbuns de fotos ou assistir a filmes antigos, são maneiras eficazes de preservar laços afetivos e estimular o cérebro.
O caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso traz à tona a importância de discutir e compreender o Alzheimer, uma doença que afeta milhões de brasileiros e requer cuidados especiais e atenção contínua.
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