Trabalhadoras de Aplicativos Enfrentam Desafios e Buscam Melhoria nas Condições de Trabalho
As condições de trabalho para motoristas e entregadores de aplicativos no Brasil têm sido motivo de preocupação, especialmente para as mulheres que atuam nesse setor. A precariedade, longas jornadas e a falta de segurança são desafios constantes enfrentados por essas profissionais, que buscam formas de sustentar suas famílias em meio a um cenário adverso.
Carina Trindade, presidente do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), destaca que as mulheres lidam com uma carga ainda mais pesada. “Elas enfrentam uma dupla jornada, cuidando da família enquanto dirigem por até 12 horas diárias. Não há locais adequados para atender necessidades básicas, como ir ao banheiro ou trocar um absorvente”, ressalta Trindade.
Recentemente, um grupo de trabalhadoras se reuniu para elaborar um documento com as principais reivindicações femininas na categoria, que será entregue à ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O contato com o ministério está sendo intermediado pela deputada Erika Kokay (PT-DF), que garantiu a participação remota de representantes de todo o Brasil em uma reunião híbrida para discutir a pauta.
A expectativa é que o material contenha demandas já apresentadas por Trindade na Organização Internacional do Trabalho (OIT) durante a 113ª Conferência do fórum, realizada em junho de 2025, em Genebra. Em agosto do ano passado, Trindade organizou a 1ª Conferência Livre Nacional de Mulheres Trabalhadoras em Aplicativos, cujo tema foi “Livres, Fortes e Conectadas”. O encontro resultou em um documento que servirá como base para as futuras negociações com o ministério.
Entre as propostas discutidas, destaca-se a criação de um aplicativo exclusivo para mulheres motoristas e entregadoras, que incluiria funcionalidades como localização em tempo real integrada à Polícia Militar e um botão de emergência para denúncias de situações de risco. Além disso, as trabalhadoras pedem isenção de impostos para clínicas que ofereçam exames preventivos gratuitos ou com descontos, bem como a criação de creches para facilitar a conciliação entre trabalho e cuidados com os filhos.
A regulamentação do trabalho por aplicativos é uma demanda antiga, mas as necessidades específicas das mulheres têm sido frequentemente ignoradas. Na última terça-feira, 14 de abril, durante uma discussão no Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, as reivindicações das trabalhadoras foram excluídas do texto. A proposta não contemplava aspectos essenciais como auxílio-maternidade e medidas de segurança contra violência de gênero.
A luta por melhores condições de trabalho para as mulheres que atuam em plataformas digitais continua, com a expectativa de que a pauta apresentada ao ministério possa resultar em legislação que atenda às suas necessidades. A falta de apoio adequado e condições dignas não pode ser ignorada, especialmente em um setor que cresce rapidamente e que, cada vez mais, se torna vital para a economia.
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