O pré-candidato à presidência, Romeu Zema, do partido Novo, utilizou a cerimônia da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto para criticar abertamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e, especificamente, o ministro Gilmar Mendes. Em seu discurso, ele questionou a imparcialidade da Justiça, perguntando retoricamente se ela não deveria ser “cega”, em resposta a um pedido recente de Mendes para incluir Zema no inquérito sobre notícias falsas. Zema expressou uma forte indignação em relação à atuação do STF, descrevendo o atual momento político como uma “profunda vergonha moral”.
O ex-governador levantou preocupações sobre conflitos de interesse envolvendo ministros do STF, insinuando que a esposa de um desses ministros tinha um contrato de R$ 129 milhões com um “golpista”. Ele também criticou um ministro que, segundo ele, se tornava um grande investidor do turismo “do dia para a noite”, sem revelar nomes, mas insinuando práticas questionáveis. Zema fez referência a um comentário de Gilmar Mendes, que considerou “irônico”, pois o ministro havia se posicionado sobre a dívida de Minas Gerais com a União, uma situação que Zema buscava reverter por meio do STF.
Zema conclamou os presentes a refletirem sobre quem realmente deveria governar o Brasil: se seriam os “intocáveis de Brasília” ou o povo. Ele argumentou que o país está preso a uma “crise ética” que perdura há quase 25 anos. Traçando um paralelo com a Inconfidência Mineira, ele evocou a figura de Tiradentes, que foi executado por se opor a altos impostos, comparando a exploração brasileira atual à colonização portuguesa. Para Zema, Brasília está explorando os brasileiros da mesma maneira que os colonizadores, perpetuando um ciclo colonial que mantém o governo rico enquanto o povo vive em condições precárias.
O discurso de Zema também abordou as fraudes no INSS, ressaltando que os impostos dos cidadãos sustentam uma “casta de intocáveis” que se considera acima da lei, enquanto a população enfrenta dificuldades. Essa comparação com a Inconfidência parece ser uma estratégia deliberada de Zema para associar a opressão colonial à atual situação do Judiciário.
Na cerimônia, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi o principal homenageado, recebendo a Medalha da Inconfidência. Zema elogiou Tarcísio, mencionando que São Paulo não passou pelas “mãos podres do PT”, o que, segundo ele, ajudou o estado a manter sua riqueza, em contrapartida à situação de Minas Gerais. Além disso, Zema fez uma defesa de seu legado como governador, destacando a continuidade do trabalho por seu sucessor, Mateus Simões.
O evento, conduzido por Simões, também marcou a retomada do papel simbólico de Ouro Preto, que se destaca em datas históricas como a celebração da Inconfidência. Curiosamente, o ministro André Mendonça, que deveria ser homenageado, não compareceu à cerimônia, o que pode indicar uma tensão crescente entre o poder judiciário e os políticos em campanha.
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