USP: Estudantes deliberam sobre greve; faculdades já aprovam ação

Estudantes da USP começam a decidir sobre greve; duas faculdades já aprovaram paralisação

Na Universidade de São Paulo (USP), a mobilização estudantil ganhou força após uma paralisação em 14 de novembro. Estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (Faud) já aprovaram o boicote às aulas, enquanto a realização de uma assembleia convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) busca estruturar melhor a luta pela greve. Em breve, cada faculdade realizará sua própria votação sobre a adesão à greve, que é impulsionada pela exigência de melhores condições de permanência, como aumento nas bolsas e melhorias na qualidade dos serviços nos restaurantes universitários, que têm enfrentado denúncias de refeições estragadas e infestadas por larvas, especialmente na Faculdade de Direito.

A situação de insatisfação entre os estudantes é exacerbada pelos problemas enfrentados também pelos servidores da USP, que iniciaram uma greve no mesmo dia. A mobilização dos funcionários é motivada pela aprovação de um bônus de R$ 4.500, conhecido como Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), destinado a professores que assumem projetos estratégicos, como disciplinas em inglês e ações de extensão. Este bônus, que foi uma promessa de campanha do atual reitor, Aluisio Segurado, terá um impacto financeiro significativo na universidade, totalizando R$ 238,44 milhões anualmente.

A insatisfação estudantil se intensificou com a ocorrência de paralisações em mais de 100 cursos, tanto na capital quanto no interior, com discussões sobre a possibilidade de unir forças com os servidores em greve. O DCE afirma que a mobilização é irreversível e que os estudantes sairão somente com conquistas concretas.

Em resposta aos questionamentos sobre a gratificação, o reitor defendeu a medida como uma forma de promover a valorização das atividades acadêmicas e a retenção de talentos, além de garantir a excelência acadêmica. Ele também mencionou que a gestão está analisando propostas para os servidores técnico-administrativos, com reajustes de benefícios já anunciados, como o aumento do vale-alimentação e do vale-refeição, além de um reajuste do auxílio-saúde a ser pago em 2026.

A USP, por sua vez, afirmou que em 2023 foi implementada uma política de suporte à permanência estudantil, que inclui bolsas e auxílios, com um foco especial em estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Dados apresentados indicam que uma porcentagem significativa dos alunos beneficiados provém de famílias com renda abaixo de meio salário mínimo.

Historicamente, a USP tem um padrão de greves desde os anos 2000, com foco em questões como salários, financiamento da universidade e políticas de permanência. Episódios marcantes incluem a greve de 2014, que durou 116 dias, e a ocupação da reitoria em 2007. Recentemente, em 2023, a greve foi motivada pela falta de professores, refletindo um histórico de mobilizações em busca de melhores condições de trabalho e ensino na instituição.

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